quinta-feira, 6 de março de 2008

Mountainbike - Nutrição

Com relação a exigência física, o mountain bike envolve tanto resistência cardio-respiratória como força muscular intensa. Por essa razão, os cuidados nutricionais devem ser otimizados nessa modalidade.
Para se ter idéia, o gasto calórico de uma atleta de mountain bike pode chegar a 6000 calorias por dia. Essas calorias devem ser preenchidas, em sua maioria, de alimentos fontes de carboidratos, que representam a maior fonte energética durante a atividade esportiva. De uma forma geral, recomenda-se que a dieta do atleta de mountain bike seja composta por uma quantidade de 60 a 70% de carboidratos.
As maiores fontes de carboidratos são massas, pães, arroz, batata, cereais e biscoitos. As proteínas também merecem atenção especial, pois estão intimamente ligadas aos processos de recuperação muscular. São fontes de proteínas as carnes em geral, frango, peixe, leite e derivados. Esses alimentos, assim como deve acontecer com os carboidratos, devem estar presentes em todas as refeições dos atletas.

Cuidados nutricionais pré-treino ou competição:
O principal objetivo nesta fase é armazenar energia no músculo. São aumentados, portanto, os carboidratos na dieta. Em casos de competição, esses alimentos devem ser aumentados maciçamente três dias antes da prova. Os alimentos ricos em proteínas (carnes, frango, ovos, queijos etc) devem ser ingeridos em menores proporções, já que a maior fonte de energia deve ser proveniente dos carboidratos.
É importante evitar a ingestão de gorduras, grãos e fibras (folhas, verduras e legumes), que podem causar má digestão. É também importante fracionar a dieta em pelo menos cinco refeições diárias, evitando que o estômago fique muito cheio, e aumentando assim o conteúdo de energia. Caprichar na hidratação é também fundamental para a performance.

Café da manhã pré-competição
Deve-se evitar a ingestão de fibras e alimentos gordurosos, pois podem causar desconforto gastrintestinal logo antes da prova, ou até durante, diminuindo o desempenho. Deve-se retirar as cascas e bagaço das frutas e evitar alimentos estranhos, com os quais não se está acostumado. A dieta deve ser à base de carboidratos e com pouca proteína. Por exemplo: pão com queijo e geléia + 1 suco + 1 pedaço de bolo simples

Reposição nutricional durante treinos e competições
Durante a prática, deve haver preocupação em sempre carregar água e, preferencialmente, bebidas esportivas nas caramanholas ou camel back, pois estas últimas, além de hidratar, fornecem carboidratos. Deve-se também carregar alimentos práticos (barras energéticas, gel de carboidrato, frutas, frutas secas, biscoitos, sanduíches de fácil digestão, como os feitos com bisnaguinha, ou algo igualmente rico em carboidratos e fácil de carregar).
Nessa fase, sugere-se a ingestão de alimentos e bebidas ricas em carboidratos em intervalos de 30 minutos, poupando-se o glicogênio muscular. Deve-se consumir de 30 a 50 gramas de carboidratos por hora, na forma de alimentos e/ou bebidas. A ingestão de líquidos também é fundamental para o desempenho, por isso deve-se tentar beber no mínimo 500ml por hora.

Dicas para o pós-exercício:
Nessa fase, tida como de extrema importância a recuperação total dos atletas, é importante repor as energias gastas durante a atividade extenuante. Nas primeiras horas após a prática, deve-se consumir carboidratos como pães, batatas, macarrão, arroz, etc. Isto irá ajudar na recuperação dos estoques de energia.
A reposição de proteínas, por meio da ingestão de leite ou derivados, ovos, frango, peixes ou outras fontes magras, também deve ocorrer nesta fase. Uma boa dica de refeição na fase pós-prova é um prato de massa com frango ou 1 sanduíche de frios + frutas. Imediatamente após a prova o atleta deve começar a repor os líquidos (água, bebidas isotônicas, sucos, refrigerantes), devendo fazê-la continuamente de forma fracionada.

Equipe RGNutri

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Mountain-Bike » Programa de Treinamento

O objetivo desta dica é servir como uma orientação aos ciclistas que desejem ingressar no mundo do mountain-bike competitivo. Ressaltamos que apesar da existência deste mini-guia continua sendo importante uma avaliação completa e detalhada dos objetivos e capacidades de cada biker, sendo para tanto necessária a participação de profissionais de educação física. O acompanhamento especializado tem a vantagem de poder expandir ao máximo a performance do atleta, por permitir um conhecimento mais detalhado de seus potenciais.
Dividimos os MTBikers em quatro categorias. Leia atentamente o que caracteriza cada uma e procure a que melhor corresponde a seu estágio de preparação atual:
Iniciante: Aquele que anda pouco ou muito pouco de bicicleta (até 2 horas semanais) e não costuma enfrentar subidas longas;
Iniciado A: Aquele que anda regularmente, de 2 a 5 horas semanais mas não costuma entrar em competições;
Iniciado B: Aquele que compete esporadicamente e anda de 5 a 10 horas semanais;
Iniciado C: Aquele que está acostumado às competições, treinando mais de 10 horas por semana

Treinos Recomendados (por semana):

Iniciante
Três passeios de 1 hora, no plano, girando bastante o pedal e sem forçar o ritmo. Alongamento seis dias por semana. Nos dias de treino, nos primeiros quinze minutos tem-se o aquecimento e a fase de concentração; nos últimos dez minutos, o relaxamento. Pedalar bem leve nestas partes do treino.

Iniciado A:
Três passeios de 1 hora no plano em ritmo leve, mais um passeio maior, com subidas e descidas, de 2 horas. Alongamento seis dias por semana, e nos dias de treino, antes e depois dos exercícios. Nos treinos, nos primeiros quinze minutos tem-se o aquecimento e a fase de concentração; nos últimos dez minutos, o relaxamento. Pedalar bem leve nestas partes do treino.

Iniciado B:
Dias da Semana:
Dia 1: OFF - descanso.
Dia 2: Oxigenação - 30 km plano, ritmo leve para médio, girando bem.
Dia 3: Intervalado - 40 km plano, ritmo intervalado, alternando uma série de seis exercícios do tipo 2 minutos com ritmo forte e 3 minutos de recuperação ativa (continuar pedalando no giro).
Dia 4: Treino técnico - 20 km em trilhas ou 30 km no asfalto em subidas e descidas em ritmo médio.
Dia 5: OFF - descanso
Dia 6: Recuperação - 20 km no plano, ritmo leve, girando bem.
Dia 7: Distância - 50 km com subidas e descidas, ritmo de médio para pesado.
Dias 2 a 7: alongamento antes e depois do treino. Nos primeiros quinze minutos tem-se o aquecimento e a fase de concentração; nos últimos dez minutos, o relaxamento. Pedalar bem leve nestas partes do treino.
Total da Semana: aproximadamente 170km, com 9 horas de ciclismo semanais.

Iniciado C:
Dias da Semana:
Dia 1: OFF - descanso.
Dia 2: Oxigenação - 40 km plano, ritmo médio, girando bem.
Dia 3: Distância - 50km de subidas e descidas, ritmo médio.
Dia 4: Intervalado - 40 km plano, ritmo intervalado, alternando duas série de quatro exercícios do tipo 2 minutos com ritmo forte e 3 minutos de recuperação ativa (continuar pedalando no giro); com 10 minutos de recuperação ativa entre as séries.
Dia 5: Treino técnico - 30 km em trilhas ou 40 km no asfalto em subidas e descidas. Ritmo de médio para pesado.
Dia 6: Recuperação - 30 km no plano, ritmo leve, girando bem.
Dia 7: Distância - 60 km com subidas e descidas, ritmo de médio para pesado.
Todos os dias: alongamento antes e depois do treino. Nos primeiros quinze minutos tem-se o aquecimento e a fase de concentração; nos últimos dez minutos, o relaxamento. Pedalar bem leve nestas partes do treino.
Total da Semana: aproximadamente 260km, com 14 horas de ciclismo semanais.


fonte: Alexandre Beloussier Cerchiaro
Preparador físico AFC
trilhaseaventuras.com.br

domingo, 4 de novembro de 2007

Rapa Nui - Uma pequena ilha ensina uma grande lição

Em anos recentes, a ciência começou a entender não só o mistério dos moai, mas também o enigma sobre o que causou o colapso da próspera civilização que os construiu. O interessante é que os fatos descobertos não têm apenas valor histórico. Segundo a Encyclopædia Britannica, eles dão "uma lição importante para o mundo moderno".
A lição tem a ver com o uso da Terra e dos seus recursos naturais. É claro que a Terra é muito mais complexa e biologicamente diversificada do que uma ilha, mas isso não quer dizer que devamos ignorar a lição de Rapa Nui. Vamos, então, analisar alguns pontos altos da História dessa ilha. Por volta de 400 EC, as primeiras famílias de colonizadores chegaram de canoa. As únicas testemunhas disso foram as centenas de aves aquáticas que voavam em círculos sobre a ilha.
Uma ilha paradisíaca
A ilha não tinha uma grande variedade de plantas, mas era rica em florestas com árvores como palmeiras, hauhaus e toromiros, além de arbustos, ervas, samambaias e grama. Havia pelo menos seis espécies de pássaros terrestres nessa terra remota, incluindo corujas, garças, saracuras e papagaios. Rapa Nui era também "a mais rica área de reprodução de aves marinhas da Polinésia e provavelmente de todo o Pacífico", diz a revista Discover.
Os colonizadores provavelmente trouxeram para a ilha galinhas e ratazanas comestíveis, que eles consideravam uma iguaria. Também trouxeram plantas como inhame, inhame-da-china, batata-doce, banana e cana-de-açúcar. O solo era bom, de modo que eles começaram imediatamente a limpar a terra e a plantar, um processo que continuou à medida que a população crescia. Mas em Rapa Nui tanto a área para plantio como o número de árvores era limitado, apesar da boa cobertura florestal da ilha.
A História de Rapa Nui
O que sabemos sobre a História de Rapa Nui se baseia principalmente em três campos de pesquisa: análise de pólen, arqueologia e paleontologia. Para fazer a análise de pólen, tiram-se amostras dos sedimentos de lagos e pântanos. Essas amostras revelam a variedade e a quantidade de plantas em períodos de centenas de anos. Quanto mais profundamente a amostra de pólen for encontrada entre os sedimentos, mais antigo será o período que ela representa.
A arqueologia e a paleontologia se concentram em coisas como casas, utensílios, os moai e os restos de animais usados como alimento. Visto que os registros dos rapa nui são hieróglifos difíceis de decifrar, as datas antes do contato com os europeus são aproximadas e muitas suposições não podem ser comprovadas. Além disso, certos fatos descritos abaixo podem coincidir com períodos adjacentes. Todas as datas em negrito são da Era Comum.
400: chegam entre 20 e 50 colonizadores polinésios, provavelmente em catamarãs com 15 metros ou mais de comprimento, capazes de transportar mais de 8 toneladas cada um.
800: diminui a quantidade de pólen nos sedimentos, sugerindo o início do desmatamento. Aumenta a quantidade de pólen de grama, à medida que as gramíneas se espalham por áreas desmatadas.
900-1300: descobriram-se muitos ossos de animais que são caçados para consumo humano durante este período. Cerca de um terço desses ossos são de golfinho. Para trazer golfinhos do alto-mar, os ilhéus utilizam enormes canoas feitas do tronco de grandes palmeiras. Das árvores se extrai também a matéria-prima para os equipamentos usados para transportar e erguer os moai, cuja construção está agora em pleno andamento. A expansão da agricultura e a necessidade de lenha fazem com que as florestas continuem diminuindo.
1200-1500: auge da construção de estátuas. Os rapa nui gastam muitos recursos para fazer os moai e as plataformas cerimoniais sobre as quais esses são colocados. A arqueóloga Jo Anne van Tilburg escreve: "A estrutura social dos rapa nui incentivava enfaticamente a produção de mais e maiores estátuas." Ela acrescenta que "aproximadamente 1.000 estátuas foram produzidas ao longo de uns 800 a 1.300 anos . . ., uma para cada sete a nove pessoas se levarmos em conta a população máxima estimada".
Aparentemente, os moai não eram adorados, embora desempenhassem um papel nos ritos fúnebres e agrícolas. Talvez tenham sido encarados como moradas dos espíritos. Parece que simbolizavam também o poder, o status e a genealogia dos construtores.
1400-1600: a população chega ao máximo — entre 7.000 e 9.000 pessoas. Desaparecem os últimos trechos de floresta, em parte devido à extinção das aves nativas, que polinizavam as árvores e espalhavam as sementes. "Toda espécie de ave terrestre nativa se extinguiu, sem exceção", diz Discover. As ratazanas também contribuíram para o desmatamento, pois há indícios de que comiam as sementes das palmeiras.
A erosão logo se espalha, os riachos começam a secar e a água se torna escassa. A partir de 1500, mais ou menos, não se encontram mais ossos de golfinho, possivelmente porque não havia mais árvores grandes o suficiente para a construção de canoas para navegação em alto-mar. Acabam as chances de fugir da ilha. As pessoas, desesperadas por comida, acabam dizimando as aves aquáticas. Comem mais galinha.
1600-1722: a ausência de árvores, o uso intensivo da terra e a degradação do solo contribuem para safras cada vez menores. Há fome em larga escala. Os rapa nui se dividem em duas confederações rivais. Aparecem os primeiros sinais de caos social, possivelmente até de canibalismo. É a era dos guerreiros. As pessoas passam a viver em cavernas para se proteger. Por volta de 1700, a população cai para aproximadamente 2.000.
1722: o explorador holandês Jacob Roggeveen é o primeiro europeu a descobrir a ilha. Isso ocorre na Páscoa, de modo que ele a chama de Ilha da Páscoa. Ele registrou sua primeira impressão: "A única impressão que se tem da aparência devastada [da Ilha da Páscoa] é de extraordinária pobreza e aridez."
1770: por volta dessa época, clãs rivais dos rapa nui que restam começam a derrubar as estátuas uns dos outros. Quando o explorador britânico capitão James Cook visita a ilha em 1774, encontra muitas estátuas tombadas.
1804-63: aumenta o contato com outras civilizações. A escravidão, agora comum no Pacífico, e as doenças ceifam muitas vidas. A cultura tradicional dos rapa nui praticamente cessa.
1864: todos os moai estão tombados; muitos foram deliberadamente decapitados.
1872: só restam 111 nativos na ilha.
Rapa Nui se tornou uma província do Chile em 1888. Atualmente, a população mista da ilha é de cerca de 2.100 pessoas. O Chile declarou a ilha inteira um monumento histórico. A fim de preservar as características e a História ímpares dos rapa nui, muitas estátuas foram reerguidas.
Que lição aprendemos?
Por que os rapa nui não viram o que ia acontecer e não tentaram evitar o desastre? Note os comentários de vários pesquisadores sobre a situação.
"A floresta . . . não desapareceu simplesmente da noite para o dia — ela foi diminuindo aos poucos, no decorrer de décadas. . . . Se um dos ilhéus tentasse avisar sobre os perigos do desmatamento progressivo, os interesses escusos de entalhadores, burocratas e chefes o silenciariam." — Discover.
"O preço que pagaram pelo modo como decidiram expressar suas idéias espirituais e políticas foi uma ilha que se tornou, em muitos sentidos, apenas uma sombra de sua forma natural anterior." — Easter Island—Archaeology, Ecology, and Culture (Ilha da Páscoa: Arqueologia, Ecologia e Cultura).
"O que aconteceu aos rapa nui sugere que o crescimento descontrolado e o impulso de manipular o meio ambiente além dos limites não são características apenas do mundo industrializado; fazem parte da natureza humana." — National Geographic.
O que acontecerá se não houver uma mudança na chamada natureza humana? Qual será o resultado se a humanidade continuar impondo à Terra — nossa ilha no espaço — um modo de vida ecologicamente insustentável? Segundo certo escritor, nós temos uma grande vantagem sobre os rapa nui. Temos os exemplos das "histórias de outras sociedades arruinadas".
Mas podemos perguntar: Será que a humanidade está prestando atenção a essas histórias? Em vista do desmatamento descontrolado e da contínua e rápida extinção de seres vivos na Terra, aparentemente não. No Zoo Book, Linda Koebner escreve: "A eliminação de uma, duas ou cinqüenta espécies terá efeitos imprevisíveis. A extinção causa mudanças antes mesmo de entendermos as conseqüências."
O livro Easter Island—Earth Island (Ilha da Páscoa — Ilha-Terra) traz este comentário significativo: "A pessoa que derrubou a última árvore [em Rapa Nui] sabia que aquela era a última. Mas mesmo assim a derrubou."
fonte: Revista "Despertai"

domingo, 30 de setembro de 2007

Trekking » Princípios de Conduta Consciente em Ambientes Naturais

1. Planejamento é Fundamental
Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar conhecimento dos regulamento e restrições existentes.
Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes de qualquer atividade em ambientes naturais.
Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas. Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.
Evite viajar para áreas populares durante feriados prolongados e férias.
Certifique-se de que você possui uma forma de acondicionar seu lixo (sacos plásticos), para trazê-lo de volta.
Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico e seu nível de experiência.
2. Você é responsável por sua segurança
O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade.
Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro de viagem com alguém de confiança, com instruções para acionar o resgate, se necessário.
Avise a administração da área que você está visitando sobre: sua experiência, o tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e a data esperada de retorno. Estas informações facilitarão o seu resgate em caso de acidente.
Aprenda as técnicas básicas de segurança, como navegação (como usar um mapa e uma bússola) e primeiros socorros. Para tanto, procure os clubes excursionistas, escolas de escalada, etc.
Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado para cada situação. Acidentes e agressões à natureza em grande parte são causados por improvisações e uso inadequado de equipamentos. Leve sempre lanterna, agasalho, capa de chuva e um estojo de primeiros socorros, alimento e água, mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas horas de duração.
Caso você não tenha experiência em atividades recreativas em ambientes naturais, entre em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar impactos sem perceber e correr riscos desnecessários.
3. Cuide das trilhas e dos locais de acampamento
Mantenha-se nas trilhas pré-determinadas - não use atalhos que cortem caminhos. Os atalhos favorecem a erosão e a destruição das raízes e plantas inteiras.
Mantenha-se na trilha mesmo se ela estiver molhada, lamacenta ou escorregadia. A dificuldade das trilhas faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Se você contorna a parte danificada de uma trilha, o estrago se tornará maior no futuro.
Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o impacto.
Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem.
Acampe a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água.
Não cave valetas ao redor das barracas, escolha melhor o local e use um plástico sob a barraca.
Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem arranque a vegetação, nem remova pedras ao acampar.
4. Traga seu lixo de volta
Se você puder levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, pode trazê-la vazia na volta.
Ao percorrer uma trilha, ou sair de uma área de acampamento, certifique-se de que elas permaneçam como se ninguém houvesse passado por ali. Remova todas asevidências de sua passagem. Não deixe rastros!
Não queime nem enterre o lixo. As embalagens podem não queimar completamente, e animais podem cavar até o lixo e espalhá-lo. Traga todo o seu lixo de volta com você.
Utilize as instalações sanitárias que existirem. Caso não haja instalações sanitárias (banheiros) na área, cave um buraco com quinze centímetros de profundidade a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, em local onde não seja necessário remover a vegetação.
5. Deixe cada coisa em seu lugar
Não construa qualquer tipo de estrutura, como bancos, mesas, pontes etc. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais.
Resista à tentação de levar "lembranças" para casa. Deixe pedras, artefatos, flores, conchas etc. onde você os encontrou, para que outros também possam apreciá-los.
Tire apenas fotografias, deixe apenas leves pegadas, e leve para casas apenas suas memórias.
6. Não faça fogueiras
Fogueiras matam o solo, enfeiam os locais de acampamento e representam uma grande causa de incêndios florestais.
Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira.
Para iluminar o acampamento, utilize um lampião ou uma lanterna em vez de uma fogueira.
Se você realmente precisa acender uma fogueira, utilize locais previamente estabelecidos, e somente se as normas da área permitirem.
Mantenha o fogo pequeno, utilizando apenas madeira morta encontrada no chão.
Tenha absoluta certeza de que sua fogueira está completamente apagada antes de abandonar a área.
7. Respeite os animais e as plantas
Observe os animais a distância. A proximidade pode ser interpretada como uma ameaça e provocar um ataque, mesmo de pequenos animais. Além disso, animais silvestres podem transmitir doenças graves.
Não alimente animais. Os animais podem acabar se acostumando com comida humana e passar a invadir os acampamentos em busca de alimento, danificando barracas, mochilas e outros acampamentos.
Não retire flores e plantas silvestres. Aprecie sua beleza no local, sem agredir a natureza e dando a mesma oportunidade a outros visitantes.
8. Seja cortês com outros visitantes
Ande e acampe em silêncio, preservando a tranqüilidade e a sensação de harmonia que a natureza oferece. Deixe rádios e instrumentos sonoros em casa.
Deixe os animais domésticos em casa. Caso traga o seu animal com você, mantenha-o controlado todo o tempo, incluindo evitar latidos ou outros ruídos. As fezes dos animais devem ser tratadas da mesma maneira que as humanas. Elas também estão sob sua responsabilidade. Muitas áreas não permitem a entrada de animais domésticos, verifique com antecedência.
Cores fortes, como branco, azul, vermelho ou amarelo, devem ser evitadas, pois podem ser vistas a quilômetros de distância e quebram a harmonia dos ambientes naturais. Use roupas e equipamentos de cores neutras, para evitar a poluição visual em locais muito freqüentados.
Colabore com a educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo impacto sempre que houver oportunidade.

Fonte: Folheto editado pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente - Diretoria do Programa Nacional de Áreas Protegidas, em dezembro de 2000, com a colaboração técnica do Centro Excursionista Universitário e apoio financeiro da embaixada dos Países Baixos. Esse folheto representa a mais recente iniciativa no sentido de sistematizar um conjunto de princípios sobre o mínimo impacto adequado à realidade brasileira. Também representa o engajamento de um órgão oficial na busca de uma mudança de atitude em relação ao uso público de áreas naturais e de unidades de conservação como os Parques Nacionais. As principais referências utilizadas foram o material da Leave no Trace Inc. e o folheto Excursionismo Consciente, organizado pelo geógrafo e montanhista Roney Perez dos Santos e distribuido pelo CEU em 1996.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O Brasil e os Transgênicos

No centro da discussão sobre os transgênicos no Brasil sempre esteve a soja RR (Roundup Ready), comercializada pela Monsanto, que domina mais de 90% do mercado mundial de plantas geneticamente modificadas.
Conforme denúncia do ambientalista e engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, desde 1998 a Monsanto já vinha introduzindo ilegalmente sementes de soja transgênica no país com a cumplicidade de autoridades governamentais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a CTNBio.
A partir de 1999, agricultores vinham adotando a soja transgênica, em especial no Rio Grande do Sul, onde o contrabando de sementes da Argentina e a ausência de fiscalização contribuíram para a expansão do cultivo ilegal.
O interesse em liberar os transgênicos baseia-se na crescente participação da indústria da transgenia no agronegócio de exportação.
O Brasil entra no mercado global com a monocultura da soja, economicamente viável somente com a produção extensiva em grandes latifúndios.
A soja transgênica contém um gene que a protege dos efeitos nocivos do herbicida Roundup (a marca comercial da Monsanto para o princípio ativo “glifosato”). Tal herbicida elimina todas as plantas, exceto as transgênicas.
O glifosato é uma substância química desenvolvida a partir do Agente Laranja, usado na guerra do Vietnã. Seus efeitos são visíveis ainda hoje no país, onde toda uma geração sofre de anomalias congênitas que afetam o desenvolvimento de braços e pernas.
Além disso, constatou-se que o glifosato pode se combinar com nitratos do solo, dando origem a uma nova substância: o nitrosoglifosato, o qual pode ser responsável pelo surgimento de carcinomas (câncer) no fígado. Os efeitos sobre a saúde e o meio ambiente podem ser ainda maiores se considerarmos que a maioria dos rios e solos estão sendo progressivamente poluídos com glifosato.
Como se não bastasse, a patente da semente de soja transgênica Roundup Ready (RR) é de propriedade da Monsanto que, de acordo com o Tratado sobre os Direitos de Propriedade Intelectual, está autorizada a cobrar royalties dos agricultores que venham a fazer uso da planta geneticamente modificada, mesmo após reproduzida.
A venda de ambos - semente e herbicida - cria um monopólio em favor da empresa e compromete os agricultores. Tudo isso porque sementes, que sempre foram bens naturais e de uso geral, agora passam a ser propriedade privada de uma companhia transnacional.
O argumento ligado ao combate à fome é rebatido ao se observar que as plantas transgênicas não possuem nenhuma qualidade que possa diferenciá-las na questão da produtividade, com exceção da resistência que têm ao herbicida da própria Monsanto.

domingo, 1 de julho de 2007

GUIA DO CONSUMIDOR - PRODUTOS COM OU SEM TRANSGÊNICOS

Óleos
Transgênico:
Aro (Makro), Liza (Cargill), Oliva (Cargill), Olivares (Paladar), Salada (Bunge), Soya (Bunge), Carmelita (Vigor), Mazola (Cargill), Primor (Bunge), Veleiro (Cargill)
Não transgênico:
Big,Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra,Pão de Açúcar, Champion, Sinhá (Caramuru), Campestre, Great Value (Wal-Mart), Ceres (Vida), Cocamar, Dois Amores (Caramuru), Leve (Imcopa), Gilda (Vida), Maria (Vida), Sadia, Suavit (Cocamar), Brejeiro,

Alimento Infantil
Transgênico:
Gerber (Novartis)
Não transgênico:
Arisco (Unilever), Big, Carrefour, Cremogema (Unilever), Compre, Bem/Barateiro, Extra, Maizena (Unilever), Nestlé, Pão de Açúcar, Aptamil (Support), Bebelac (Support), Nan (Nestlé), Nestogeno (Nestlé), Ninho (Nestlé), Nutriton (Support), Soya Diet (Support)

Farinhas e Grãos
Transgênico:
Aro (Makro), Dafap's, Quero
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Pão de Açúcar, Bontrato (Caramuru), Caramuru, Cereja (Sakura), Champion, Hikari, Jasmine, Mãe Terra, Mais Vita Produtos Naturais, Missô (Sakura), Nekmil (Caramuru), Nutrimental, Oetker, Panco, Sinhá (Caramuru), Vitao(Nutrihouse), Yoki

Molhos e Condimentos
Transgênico:
Soya (Bunge), Ajinomoto, Primor (Bunge), Luppini, Quero, Mesa (Vigor), Vigor, Virmont, Gourmet (Cargill), Liza (Cargill), Sazon (Ajinomoto), Hondashi (Ajinomoto)
Não transgênico:
Arisco (Unilever), Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Pão de Açúcar, Cereja (Sakura), Champion, Mãe Terra, Missô (Sakura), Great Value (Wal-Mart), Maria (Vida), Cepêra, Mais por Menos (Wal-Mart), Aji no Shoyu (Sakura), Cica (Unilever), Etti (Parmalat), Goodlight, Hellman's, Hikari, Knorr (Unilever), Lanchy (Cocamar), Linguanotto (Masterfoods), Mococa, Parmalat, Peixe (Cirio), Purity (Cocamar), Sakura, Uncle Ben's (Masterfoods), Cirio, Fondor (Nestlé), Pomarola (Unilever), Salsaretti (Parmalat), Tarantella (Unilever), Maggi (Nestlé)

Enlatados
Transgênico:
Quero
Não transgênico:
Big, Compre Bem/Barateiro, Extra, Pão de Açúcar, Great Value (Wal-Mart), Mais por Menos, (Wal-Mart), Etti (Parmalat), Peixe (Cirio), Anglo (BF), Bonduelle, Bordon (BF), Coqueiro, Quaker, Superbom, Swift (BF)

Sopas e Pratos Prontos
Transgênico:
Hemmer, La Table D'or, Vigor
Não transgênico:
Arisco (Unilever), Big, Pão de Açúcar, Panco, Sinhá (Caramuru), Vitao (Nutrihouse), Sadia, Goodlight, Knorr (Unilever), Missoshiru (Sakura), Nissin, Qualimax, Maggi (Nestlé)

Sobremesas
Transgênico:
Vigor, Virmont, Dona Benta, Linea, Leco (Vigor)
Não transgênico:
Big, Maizena (Unilever), Nestlé, Pão de Açúcar, Hikari, Oetker, Great Value (Wal-Mart), Goodlight, Mococa, Parmalat, Paulista (Danone), Clight (Kraft), Ducoco, Fresh (Kraft), Karo (Unilever), Kibon (Unilever), La basque, Miss Daisy (Sadia), Royal (Kraft), Danone

Matinais e Cereais
Transgênico:
Linea, Sustagen (Bristol & Meyers), Café do Ponto, Kellog´s, Diet Shake (Nutrilatina), Melitta, Ovomaltine (Novartis), União, Quero, Pro Sobee (Bristol & Meyers)
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Nestlé, Pão de Açúcar, Jasmine, Mãe Terra, Vitao (Nutrihouse), Great Value (Wal-Mart), Mais por Menos (Wal-Mart), Mococa, Quaker, Sanavita, Batavo, Ativa Soy (Nutrimental), Suprasoy (Josapar), Nutrifoods, Nutrilon (Nutrimental), Nutry (Nutrimental), Nutry Fun (Nutrimental), Cerealon (Nutrifoods), Chocomilk (Batavo), Chomax (Ducoco), Fibra Total (United Mills), Fitness & Diet (United Mills), Mucilon (Nestlé), Nescau (Nestlé), Nesquik (Nestlé), Neston (Nestlé), Nutren (Nestlé), Toddy (Quaker), Trio (United Mills)

Chocolates e Balas
Transgênico:
Adams, Arcor, Cadbury, Dan Top, Dizioli, Duitt, Garoto, Halls, Hershey's, Santa Edwiges, Trident
Não transgênico:
Big, Nestlé, Pão de Açúcar, Great Value (Wal-Mart), Dori, Ferrero, Kopenhagen, Lacta (Kraft), M&M (Masterfoods), Milka (Kraft), Pan, Twix (Masterfoods), Snickers (Masterfoods)

Biscoitos e Salgadinhos
Transgênico:
Adria, Ebicen (Glico), Lu (Arcor), Zabet (Adria), Triunfo (Arcor), Aymoré (Arcor), Gran Dia (Arcor)
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Nestlé, Pão de Açúcar, Champion, Jasmine, Mãe, Terra, Panco, Vitao (Nutrihouse), Great Value (Wal-Mart), Mais por Menos (Wal-Mart),, Parmalat, Firenze, Piraquê, Nutrifoods, Nutry (Nutrimental), Dauper, Dori, Ativa (Nutrimental), Bauducco, Elbis (Mabel), Elma Chips, Fritex (Bauducco), Iracema (Kraft), Kelly (Mabel), Mabel, Mini Bits (Kraft), Nabisco (Kraft), Skiny (Mabel), Tica (Panco), Tostine (Nestlé), Visconti, Wickbold, Biits Cookies (United Mills), Bon Gouter (Kraft), Chocolícia (Kraft), Chocooky (Kraft), Club Social (Kraft), Oreo (Kraft), Trakinas (Kraft), Duchen (Parmalat), Raris (Masterfoods), Mr. Nut´s (Masterfoods)

Pães e Bolos
Transgênico:
Santa Edwiges, Pullman, Ana Maria (Pullman)
Não transgênico:
Big, Pão de Açúcar, Panco, Great Value (Wal-Mart), Mais por Menos (Wal-Mart), Firenze, Bauducco, Tica (Panco), Visconti, Wickbold, Kidlat (Parmalat), Jack Bolinho (Wickbold)

Bebidas
Transgênico:
All Day (Bunge), Cyclus (Bunge)
Não transgênico:
Sanavita, Batavo, Clight (Kraft), Fresh (Kraft), Royal (Kraft), Danone, Ativa (Nutrimental), Yakult, Ades (Unilever), Cereal Shake Light, Ki-Suco (Kraft), Maguary (Kraft), Jui-C (Nutrimental), Nutrinho (Nutrimental), Sustare (Olvebra), Tang (Kraft), Q-Refres-ko (Kraft), Tonyu (Yakult), Chamy (Nestlé), Kissy (Batavo), Diet Fiber (Olvebra), Longevita (Olvebra), Novo Milke (Olvebra), Soy Fruit (Olvebra), Soy Original (Olvebra), Soymilke (Olvebra)

Frios e Embutidos
Transgênico:
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Champion, Sadia, Mais por Menos (Wal-Mart), Anglo (BF), Bordon (BF), Swift (BF), Batavo, Perdigão, Rezende (Sadia), Seara, Marba, Wilson (Sadia)

Laticínios e Margarinas
Transgênico:
Primor (Bunge), Mesa (Vigor), Leco (Vigor), Vigor, All Day (Bunge), Amélia (Vigor), Cyclus (Bunge), Delícia (Bunge), Franciscano (Vigor), Mila (Bunge), Soya (Bunge)
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Nestlé, Pão de Açúcar, Great Value (Wal-Mart), Sadia, Mais por Menos (Wal-Mart), Goodlight, Paulista (Danone), Batavo, Piraquê, Danone, Arisco, Philadelphia (Kraft), Claybom (Unilever), Baker (Vida), Colméia (Vida), Becel (Unilever), Corpus (Danone), Cremutcho, Dannete (Danone), Danny (Danone), Doriana (Unilever), Molico (Nestlé), Qualy (Sadia), Saúde (Unilever), Deline (Sadia), Dupli (Danone), FBE (Vida), Glacier (Vida), Margarella (Vida), Mariella (Vida)

Massas
Transgênico:
Adria, Frescarini (General Mills), Pastitex, Santa Branca
Não transgênico:
Big, Carrefour, Pão de Açúcar, Champion, Sadia, Mezzani, Firenze, Massaleve, Pavioli, Piraquê

Congelados
Transgênico:
Arosa, Forno de Minas (General Mills), Pescal, Belcook
Não transgênico:
Big, Carrefour, Compre Bem/Barateiro, Extra, Pão de Açúcar, Champion, Panco, Great Value (Wal-Mart), Sadia, Goodlight, Anglo (BF), Bordon (BF), Superbom, Swift (BF), Batavo, Da Granja, Kilo Certo, Perdigão, Rezende (Sadia), Seara, Bonduelle, Toque de Sabor (Perdigão)

Rações para animais
Transgênico:
Não transgênico:
Guabi, Purina (Nestlé), Alpo (Nestlé), Bonzo (Nestlé), Cat Chow (Nestlé), Champ (Masterfoods), Deli Dog (Nestlé), Dog Menu (Nestlé), Fancy Feast (Nestlé), Faro (Guabi), Friskies (Nestlé), Frolic (Masterfoods), Gatsy (Nestlé), Herói Mascote (Guabi), Kanina (Nestlé), Pedigree (Masterfoods), Whiskas (Masterfoods), Top Cat (Guabi), Kitekat (Masterfoods)

*Este guia pode ser reproduzido livremente, desde que os créditos sejam dados ao Greenpeace e que as cópias incluam todas as notas e informações complementares.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A arte de ler o terreno

Existe uma técnica da qual pouco ou nada se ouve falar, e que tem uma importância enorme no desempenho de qualquer biker seja nas trilhas ou nas estradas. Uma técnica que o tempo e a experiência ajudam a desenvolver e refinar, mas que com um pouco de atenção e prática pode ser aprendida rapidamente e vai certamente dar uma “turbinada” na sua performance. Aprenda a “ler” o terreno.
Quando estamos começando a pedalar e descobrimos a paixão pela bicicleta, geralmente somos levados por nós mesmos e pelos outros a dar mais importância à alimentação e ao desenvolvimento da técnica. Frenagem, saltos, uma pedalada mais redonda, o que, quando e como comer corretamente são os tópicos mais abordados quando se fala em treinamento. Por causa disso, há dezenas de fontes de informação sobre esses assuntos. Mas ler o terreno por onde pedalamos é a técnica oculta que separa o bom biker do melhor biker.

As vantagens:
Intuitivamente somos levados a desviar de buracos e obstáculos, seja na trilha ou na estrada Até mesmo por uma questão de sobrevivência. Mas ler o terreno significa ir um passo além. Como a bike depende da nossa força para ir para frente e se manter em pé, escolher o melhor local para colocar as rodas de sua bicicleta pode melhorar sensivelmente a performance.

Economize energia:
Grama, areia, barro ou pedras exigem mais força aplicada aos pedais para manter a bike em pé e você pedalando. Além disso, como a velocidade é menor nesses terrenos, as vezes é necessário levantar o selim e usar o famoso “jogo de corpo” para não perder o equilíbrio, o que gasta ainda mais energia. Parece pouco, mas numa pedalada pode significar a diferença entre chegar pedalando ou ter que empurrar no final. Nunca subestime o valor da energia economizada sobre a bike!

Evite os tombos:
Entrar numa curva ou tentar brecar em cima da faixa de pedestres com piso molhado, ou numa trilha com limo sobre terra é tombo na certa. Tudo bem, alguns bikers têm uma técnica e sensibilidade tão apurada que conseguem se sair bem dessas situações. Mas existem limites impostos pela lei da física (atrito, velocidade, inclinação...). Sabendo identificar pontos de perigo em potencial você pode salvar sua pele – literalmente.

Otimize as frenagens:
Muito se fala da potência dos freios. Cantilever, v-brake, freio a disco... a verdade é que uma boa frenagem, depende de três fatores: a) A correta regulagem dos freios (qualquer que seja o tipo); b) Os pneus (seus pneus estão em ordem? São adequados para o tipo de terreno em questão?); e pó fim c) As condições do terreno. Saber encontrar tração para que os pneus possam morder o terreno é importante.

Melhore as curvas:
Aqui também o fator pneus vs terreno é fundamental para uma boa performance nas curvas. De novo as leis da física ditam os limites da tração, e saber antecipar esses limites numa curva, seja na curva ou na estrada, pode ajudar a traçar - e realizar – a melhor opção dentre as inúmeras oferecidas.

Retarde o cansaço e a fadiga:
É comum ver bikers bem preparados e treinados abandonarem competires mais duras e exigentes, como o Iron Biker. Falta de pernas? Acabou o gás? O pulmão encolheu? Mesmo que a resposta seja sim para essas perguntas, você já parou para pensar na relação do terreno com esse desgaste? As costas doem, os braços começam a formigar, e o ri timo cai drasticamente. Aqui também o que acontece é um desgaste generalizado do corpo pela repetição de milhares de pancadas e vibrações transmitidas ao corpo durante as pedaladas. Na estrada ou na trilha estamos expostos a essas vibrações e o efeito acumulativo pode ser sentido depois de uma ou duas horas, às vezes menos. É impossível evitar completamente esse ataque que leva a fadiga e acelera o cansaço. Nem com as melhores suspensões, muito treinamento e ginástica. Não existe asfalto perfeito (pelo menos aqui no Brasil), e as trilhas, bom, não seriam trilhas se fossem assim. Mas podemos economizar um pouco sabendo evitar alguns trechos mais desgastantes para o corpo. O resultado pode ser sentido na prática.

Usando o cérebro:
É difícil, senão impossível, substituir a experiência no aprendizado de uma técnica. A primeira e mais importante regra é: olhe para onde você quer ir, e não para o que você quer evitar. Pode parecer estranho, mas nosso cérebro comanda nossos movimentos a seguirem o olhar. É como uma mira ou algo assim. Se você está numa descida assustadora numa trilha nova, procure sempre olhar para o melhor caminho, nunca dentro daquela erosão enorme, profunda, cheia de pedras e dentes, louca para engolir você e sua bike ao menor vacilo.
A segunda regra, não menos importante do que a primeira, é: ”olhe sempre adiante, nunca para o trecho imediatamente à frente de sua roda dianteira. E quanto maior a velocidade, mais adiante se deve olhar. Seus olhos são como radares,. Vasculhe o terreno, identificando obstáculos sem se preocupar muito com eles. Nosso cérebro grava e processa sozinho as informações, e se você seguir direitinho a primeira regra, ele ainda comanda seus movimentos para evitar apuros. Afinal, para ele, o mais importante é a sobrevivência. Esse é um princípio valioso que quando praticado acelera o desenvolvimento dos reflexos e melhora a intuição.
Seja subindo, no plano ou descendo, é preciso tomar cuidado nas curvas e frenagens, independente do pneu que está usando. Antecipe a frenagem e reduza a velocidade com leves toques nas manetes, usando mais força no traseiro pois, em caso de derrapagem é mais fácil controlar a traseira do que a dianteira. Pelo mesmo motivo, evite inclinar a bike demais ou fazer movimentos bruscos com o guidão, mantendo seu corpo mais perpendicular ao chão e fazendo a curva da forma mais suave possível.
Atenção total para trechos de solo “traiçoeiro”, como atoleiros, leitos de areia ou pedras, barro e lama ou ainda raízes. Sobretudo em curvas de alta velocidade. O comportamento da bike fica estranho nesses tipos terrenos, pois a tração é diferente devido ao peso e ao torque das pedaladas. Antes de encará-los, reduza a velocidade e transfira um pouco mais de peso para a traseira, aliviando a dianteira e mantendo o centro de gravidade de seu corpo solto para que ele se adapte automaticamente as mudanças de movimentos da bike. Mais energia deve ser aplicada no guidão para fazer correções de direção.
Nas subidas, descidas e curvas procure identificar a linha que oferece a melhor tração. Nas subidas esse procedimento evita que o pneu gire em falso e que você perca o equilíbrio. Nas descidas ajuda a manter o controle nas frenagens e curvas. Tente encontrar o melhor equilíbrio entre tração e baixa resistência à rolagem. Pode parecer difícil mas, a gente não desiste e continua tentando.
fonte: Alex Torres (Revista Bice Sport)